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Seca mergulha seis milhões de somalis em situação de fome aguda – Correio da Kianda

Posted on August 24, 2026 by Admin

Cerca de seis milhões de pessoas na Somália, quase um terço da população, enfrentam actualmente uma situação de fome aguda, agravada pela seca, conflitos e redução da ajuda humanitária internacional.

Os dados são do Programa Mundial de Alimentos (PMA), que alerta que cerca de dois milhões de pessoas se encontram já em situação de emergência alimentar.

A crise afecta particularmente as crianças. Quase dois milhões deverão sofrer de desnutrição aguda em 2026, ficando mais expostas a doenças e outras complicações de saúde.

A actual situação resulta de vários factores que se acumulam. Várias temporadas de chuvas insuficientes reduziram os recursos hídricos, destruíram plantações e provocaram a perda de gado, uma das principais fontes de rendimento e alimentação para muitas famílias.

A seca ocorre num contexto de instabilidade na segurança. A Somália continua a enfrentar a insurgência do grupo al-Shabaab e confrontos armados em diferentes regiões do país, dificultando também o acesso das organizações humanitárias às populações afectadas.

O aumento dos preços dos combustíveis e dos alimentos agrava ainda mais a situação, sobretudo entre as famílias mais vulneráveis, que enfrentam dificuldades crescentes para garantir alimentação suficiente.

A deterioração das condições de vida tem provocado igualmente novos deslocamentos populacionais. Mais de 200 mil pessoas abandonaram as suas zonas de residência durante o segundo trimestre de 2026, segundo os dados citados no relatório sobre a situação humanitária.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alerta para a gravidade do quadro nutricional, sobretudo entre as crianças. Segundo a organização, em alguns campos de deslocados, uma em cada duas crianças sofre de desnutrição aguda e uma em cada quatro apresenta desnutrição aguda severa.

A situação alimentar é igualmente crítica para as famílias. Em alguns campos, cerca de um terço das famílias consegue fazer apenas uma refeição por dia.

As equipas médicas relatam ainda um agravamento do estado de saúde das crianças que chegam às unidades sanitárias depois de vários meses de privação alimentar. A desnutrição enfraquece o organismo e aumenta a vulnerabilidade a outras doenças, incluindo sarampo e difteria.

Mesmo depois de receberem tratamento, algumas crianças regressam a condições de vida precárias, sem alimentação adequada e com acesso limitado à água potável, o que aumenta o risco de voltarem a adoecer.

A crise humanitária na Somália ocorre, assim, num cenário marcado pela combinação de seca, insegurança, deslocamentos populacionais, inflação dos preços dos alimentos e redução do financiamento humanitário, aumentando a pressão sobre as comunidades e sobre as organizações que prestam assistência no país.

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