O Papa Leão XIV apelou este domingo, 23, à comunidade internacional para reforçar a resposta ao surto de Ébola que afecta a República Democrática do Congo (RDC), defendendo igualmente o envolvimento das comunidades locais nas acções de prevenção e combate à doença.
“Encorajo uma resposta por parte da comunidade internacional que envolva também as comunidades locais no trabalho de prevenção, para salvar muitas vidas humanas”, afirmou o pontífice.
Segundo os dados mais recentes divulgados pelas autoridades congolesas, o surto já provocou 2.557 mortes e 5.375 casos confirmados, com uma taxa de letalidade de 47,6%.
De acordo com o boletim do Ministério da Comunicação, com dados recolhidos até 20 de Agosto, 737 doentes permanecem em isolamento ou hospitalizados, enquanto 1.167 pessoas recuperaram da doença.
A taxa de rastreio de contactos atingiu 85,5%, ultrapassando a meta de 85% estabelecida pelas autoridades sanitárias.
A transmissão do vírus afecta actualmente seis províncias: Ituri, considerada o epicentro do surto, Kivu do Norte, Haut-Uélé, Tshopo, Bas-Uélé e Kivu do Sul.
Entretanto, a RDC tem recebido vacinas destinadas a conter a propagação do vírus. A Ervebo, desenvolvida originalmente contra a variante Zaire do Ébola, apresentou, em estudos com animais, sinais de possível eficácia contra a variante Bundibugyo.
Duas outras vacinas especificamente desenvolvidas contra a variante Bundibugyo encontram-se em ensaios clínicos de fase 1 em humanos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os candidatos demonstraram ser seguros, embora o desenvolvimento das vacinas possa prolongar-se por vários meses.
A OMS alertou ainda que o actual surto apresenta o crescimento mais rápido desde que foi declarado e poderá atingir uma dimensão semelhante à epidemia de Ébola que afectou a África Ocidental entre 2014 e 2016, provocando cerca de 11 mil mortes.
O vírus do Ébola é transmitido através do contacto directo com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. A doença pode provocar febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas, podendo evoluir rapidamente para a morte.