Os pescadores da província do Cuanza-Sul manifestam preocupação com a crescente utilização da pesca por arrasto por embarcações industriais, uma prática que, segundo denunciam, está a provocar a redução da biomassa marinha e a comprometer a actividade da pesca artesanal.
Para António Joaquim, pescador há mais de 15 anos no município do Porto Amboim, a presença de embarcações que utilizam este método tem contribuído para a diminuição das capturas.
“Antes conseguíamos regressar do mar com uma boa quantidade de peixe, mas hoje enfrentamos muitas dificuldades. A pesca por arrasto está a afectar os nossos meios de sobrevivência”, afirmou.
Já Manuel Francisco, outro pescador da região, considera que a situação tem provocado prejuízos às famílias que dependem directamente da actividade pesqueira.
“Muitos pescadores vivem apenas da pesca artesanal. Quando o peixe começa a desaparecer, toda a comunidade sente as consequências”, disse.
Os profissionais do sector alertam igualmente para os impactos ambientais da pesca por arrasto, uma técnica considerada de elevado impacto sobre os ecossistemas marinhos, por afectar o fundo do mar e capturar diversas espécies de forma indiscriminada.
José Pedro, pescador na zona costeira do Cuanza-Sul, defende o reforço da fiscalização das águas territoriais para evitar a degradação dos recursos marinhos.
“É preciso controlar melhor as embarcações industriais e proteger as zonas onde os pescadores artesanais trabalham”, apelou.
Perante este cenário, as comunidades pesqueiras pedem a intervenção das autoridades competentes, com medidas que garantam a preservação da biomassa marinha e assegurem a continuidade da pesca artesanal na província.