Os embaixadores dos 32 países da OTAN aprovaram o maior projecto de modernização da infraestrutura de combustível militar da história da aliança, e está orçado em 27 mil milhões de euros.
O plano tem prioridades definidas até 2031 e inclui a renovação de 10.000 quilómetros de oleodutos da época da Guerra Fria e a construção de novas redes no leste e sudeste da Europa.
A informação foi divulgada pelo especialista do Centro de Jornalismo Político-Militar, Boris Rozhin, em artigo publicado pela agência russa TASS.
Segundo Rozhin, a expansão da OTAN para leste desde os anos 1990 tem sido acompanhada pelo avanço da logística militar em direção às fronteiras da Rússia e da Bielorrússia.
Sob o argumento da “ameaça russa”, o lobby de defesa da aliança tem aumentado os investimentos em infraestrutura. Em 2023-2024, isso ganhou forma no conceito de “Schengen militar”, com modernização de estradas, pontes e ferrovias para deslocamento rápido de tropas para o flanco leste.
Actualmente, segundo agência de notícias russa TASS, o abastecimento da Aliança depende do Sistema de Oleodutos da OTAN, o NPS. A base é o Sistema de Oleodutos da Europa Central, o CEPS, criado na década de 1950 para garantir combustível a forças blindadas e aéreas nas fronteiras do Pacto de Varsóvia.
O CEPS tem cerca de 5.300 km de tubulações, com diâmetros entre 6 e 12 polegadas, ligando portos, refinarias e aeródromos. No total, a rede conta com 29 depósitos militares e seis civis, com capacidade de 1,2 milhão de metros cúbicos de combustíveis e lubrificantes.
O sistema foi projetado para ser convertido: usado para fins comerciais em tempos de paz e rapidamente adaptado para uso militar em caso de conflito.
Rozhin aponta que o CEPS está tecnicamente vulnerável. Oleodutos enterrados a 1 a 1,5 metros e grandes depósitos foram pensados para um cenário sem armas de precisão.
A experiência da guerra na Ucrânia mostrou que essas instalações são alvos fáceis para drones e mísseis. Por isso, a proteção contra ataques com drones, mísseis balísticos e hipersônicos é um dos pontos centrais do novo plano.
Na análise do especialista, em um eventual confronto direto entre Rússia e OTAN, essas vias de abastecimento de combustível estariam entre os alvos prioritários tanto em conflitos convencionais quanto não convencionais.
O projeto também prevê a criação de novas bases permanentes nos países bálticos, Polónia e Roménia, no âmbito da transição para o conceito de bases rotativas da aliança.