Fracasso na aproximação diplomática a Washington forçou Luanda a procurar alternativas para a reconstrução nacional pós-guerra
O antigo vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, revelou recentemente que a forte parceria estratégica entre Angola e a China teve o seu início após o fracasso das negociações com o Governo dos Estados Unidos da América, em 2002. Logo após o fim definitivo da guerra civil, em Fevereiro daquele ano, uma delegação presidencial angolana deslocou-se a Washington com o objectivo primordial de solicitar apoio financeiro e técnico para a reconstrução do país, que se encontrava completamente devastado pelo longo conflito militar que assolou o território nacional durante décadas.
De acordo com as declarações de Manuel Vicente, que integrava a referida comitiva oficial, o então Presidente da República liderou a missão diplomática escassas duas semanas após a assinatura dos acordos de paz. Contudo, apesar dos intensos esforços diplomáticos e da urgência da situação, a delegação angolana não conseguiu convencer a administração norte-americana a disponibilizar a ajuda financeira necessária para alavancar o processo de reconstrução nacional. Sem recursos financeiros próprios e com uma economia totalmente paralisada, o Executivo angolano viu-se na obrigação de procurar outras alternativas viáveis no plano internacional.
A viragem histórica para Pequim e o início da cooperação bilateral
Perante a recusa de Washington em apoiar o país num momento tão crítico, Angola redireccionou de imediato as suas atenções diplomáticas e económicas para a República Popular da China. A potência asiática respondeu prontamente às necessidades urgentes de Luanda, disponibilizando as primeiras linhas de crédito substanciais que permitiram dar início às grandes obras de infra-estruturas rodoviárias, ferroviárias e habitacionais. Manuel Vicente sublinhou que esta abertura imediata de Pequim, numa altura de extrema vulnerabilidade financeira em que Angola não dispunha de garantias sólidas, foi o verdadeiro catalisador para a sólida e duradoura parceria que se mantém até aos dias de hoje.