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Mais de sete em cada dez trabalhadores estão na informalidade em Angola – Correio da Kianda

Posted on August 11, 2026 by Admin

Mais de sete em cada dez pessoas empregadas em Angola estão na informalidade, uma realidade que expõe os desafios do país na criação de empregos formais, estáveis e com acesso à protecção social.

Os dados foram apresentados esta terça-feira, 11, pela ministra da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, Teresa Rodrigues Dias, durante um workshop promovido pela Assembleia Nacional sobre o primeiro emprego e a empregabilidade juvenil.

Segundo a governante, 77,7% da população empregada encontrava-se na informalidade em 2025, enquanto a taxa de desemprego da população com 18 ou mais anos situou-se em 24,3%.

Os números colocam em evidência a dimensão dos problemas estruturais do mercado de trabalho angolano, particularmente entre os jovens, num país cuja população é maioritariamente jovem e que conta com cerca de 14,2 milhões de jovens.

A elevada informalidade significa que a maioria das pessoas que consegue encontrar uma ocupação económica permanece fora do mercado formal de trabalho, situação que levanta questões sobre estabilidade laboral, rendimento, protecção social e perspectivas de progressão profissional.

O cenário ganha maior relevância perante o desafio do primeiro emprego. Para muitos jovens, a entrada no mercado de trabalho ocorre através de actividades informais, muitas vezes sem contratos de trabalho, contribuições regulares para a segurança social ou garantias associadas ao emprego formal.

Teresa Rodrigues Dias defendeu que a empregabilidade começa na formação e advertiu que as mudanças provocadas pela inteligência artificial, automação e economia verde estão a alterar rapidamente as competências exigidas pelo mercado.

A ministra considerou que o primeiro emprego constitui um desafio colectivo, que exige a participação do Estado, empresas, instituições de ensino e sociedade.

A preocupação com o desemprego e a informalidade foi igualmente destacada pelo ministro da Juventude e Desportos, Rui Falcão, que apontou a formação, o empreendedorismo e a criação de empregos dignos e formais como prioridades para transformar o potencial da juventude em desenvolvimento sustentável.

O director do Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional (INEFOP), Manuel Mbuangalanga Mbangui, abordou igualmente os desafios relacionados com a capacitação e qualificação profissional dos jovens.

O quadro apresentado no Parlamento mostra, assim, que o desafio de Angola não está apenas em criar mais empregos, mas também em transformar uma parcela significativa das actuais ocupações informais em empregos formais, sustentáveis e capazes de garantir maior segurança económica aos trabalhadores.

Com 77,7% da população empregada na informalidade, a formalização do mercado de trabalho surge como uma das questões centrais para as políticas públicas de emprego, sobretudo perante o crescimento de uma população jovem que procura oportunidades de inserção económica.

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