O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, acusou abertamente o Ocidente de estar a travar uma guerra indirecta contra Moscovo, utilizando os cidadãos ucranianos como “corpos” no campo de batalha, enquanto continua a fornecer armamento e tecnologia avançada ao governo de Kiev. A declaração do chefe da diplomacia russa surge num momento de crescente tensão nas relações internacionais.
Em declarações prestadas à estação de televisão russa Vesti, o diplomata afirmou que os países ocidentais evitam o confronto directo, preferindo actuar através daquilo que classificou como “as mãos” e, sobretudo, “os corpos” do regime ucraniano. Segundo Sergey Lavrov, esta estratégia permite ao Ocidente manter o conflito activo sem o envolvimento oficial das suas próprias forças militares na linha da frente, poupando os seus soldados enquanto Kiev assume o custo humano do confronto.
O diplomata sublinhou que, enquanto as forças ucranianas enfrentam o desgaste contínuo nos combates, o papel das potências ocidentais tem sido o de alimentar tecnologicamente a resistência militar. Lavrov caracterizou a administração de Kiev como um “regime anti-povo”, sustentando que o fornecimento de armas modernas e de tecnologia de ponta serve apenas para prolongar as hostilidades e agravar a crise na região.
Esta reacção surge num momento em que a retórica entre Moscovo e as capitais ocidentais continua a endurecer. O governo russo tem repetidamente criticado o apoio militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e dos Estados Unidos, considerando-o uma interferência directa e uma ameaça à sua segurança nacional. Por outro lado, os aliados ocidentais defendem que o envio de ajuda militar é legítimo e necessário para garantir a soberania e a integridade territorial da Ucrânia face à intervenção russa.
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