O especialista em Relações Internacionais, Raimundo Gonçalves, considera que a falta de compromisso político dos líderes africanos com as populações continua a comprometer os objectivos de desenvolvimento sustentável do continente.
Na análise este domingo, 30, sobre os principais desafios de África, o especialista defende que os governos devem colocar as necessidades concretas dos cidadãos no centro das políticas públicas e adoptar uma governação mais orientada para as pessoas.
Raimundo Gonçalves identifica a segurança alimentar, a educação funcional e a saúde preventiva entre os problemas basilares que exigem respostas mais consistentes dos Estados africanos.
Segundo o especialista, muitos países do continente continuam a enfrentar dificuldades na construção de sistemas de saúde capazes de prevenir doenças, mantendo uma abordagem predominantemente curativa.
A situação, acrescenta, deve ser analisada à luz do conceito de segurança humana, que ultrapassa a dimensão militar e está directamente relacionada com factores económicos, sociais, educacionais e sanitários.
Para Raimundo Gonçalves, a ausência de respostas eficazes nestes sectores acaba por fragmentar os esforços de desenvolvimento sustentável e limitar a melhoria das condições de vida das populações.
O especialista sustenta que os líderes africanos conhecem os problemas que afectam os seus países, mas critica a falta de compromisso na transformação dos recursos nacionais em melhores condições de vida para as populações.
Raimundo Gonçalves denuncia ainda práticas de desvio e transferência de recursos financeiros para o exterior, considerando que estas fragilizam os sistemas financeiros nacionais e reduzem a capacidade dos Estados de investirem no desenvolvimento interno.
A posição do especialista surge num contexto em que a segurança alimentar, o capital humano e a saúde continuam entre as áreas prioritárias dos instrumentos de desenvolvimento sustentável em Angola e no continente africano.
Para Raimundo Gonçalves, África precisa de líderes comprometidos com as populações e capazes de transformar os recursos disponíveis em políticas públicas que respondam aos problemas estruturantes do continente.