O pré-candidato a presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no Poder há 50 anos), general Higino Carneiro, afirmou hoje que não desiste da corrida à liderança do partido no poder, apesar do processo judicial que enfrenta.
Higino Carneiro falava aos jornalistas à saída do Tribunal Supremo, em Luanda, onde decorreu a primeira sessão do processo de instrução, em que está a contestar a acusação por crimes de peculato e branqueamento de capitais.
A acusação surgiu no momento em que foi conhecida a intenção do general na reforma se candidatar à liderança do MPLA, sendo que hoje garantiu que vai manter a decisão de avançar para a corrida eleitoral no congresso de Dezembro do partido.
“Eu mantenho a minha decisão”, declarou, respondendo “obviamente que não” à pergunta se vai desistir da candidatura.
Higino Carneiro rejeitou ainda que exista qualquer ala no MPLA que o aconselha a desistir e sobre a sessão de hoje no Tribunal Supremo afirmou que “correu bem”.
“Acredito na Justiça, considero-me inocente, as acusações são totalmente infundadas”, afirmou.
Durante várias horas foram ouvidas quatro testemunhas arroladas pela defesa e a sessão ficou suspensa até haver decisão sobre dois requerimentos apresentados ao tribunal.
O advogado de Defesa, José Carlos Miguel, explicou que nos requerimentos contesta-se o indeferimento de cerca de seis testemunhas e da maior parte da contestação à acusação apresentadas no pedido de abertura da instrução.
A sessão está suspensa até haver decisão sobre os dois requerimentos.
Se os mesmos foram aceites, serão ouvidas mais testemunhas, caso contrário o Tribunal avança para o debate final, a que se seguirá a decisão sobre se Higino Carneiro vai ou não a julgamento.
A data da nova sessão só será conhecida depois da decisão sobre os dois requerimentos.
O caso está relacionado com a gestão de Higino Carneiro enquanto governador do Cuando Cubango e com uma alegada utilização de fundos públicos para fins privados durante o período em que exerceu funções.
Higino Carneiro está acusado dos crimes de peculato e branqueamento de capitais.