Cerca de 70 pessoas, incluindo quatro soldados, morreram na passada sexta-feira em confrontos violentos entre jovens armados das comunidades Pakam e Nyang, na região de Rumbek, no centro do Sudão do Sul.
Segundo o Ministério da Informação, os confrontos envolveram as duas comunidades, pertencentes ao grupo étnico Dinka, no Estado dos Lagos. O balanço permanece provisório, enquanto a violência provocou pressão sobre os hospitais locais e obrigou centenas de famílias a abandonar as suas casas.
Uma moradora da região, Mbabazi Riesty Loduma, afirmou que não são claras as causas imediatas do confronto. Na região, disputas relacionadas com a posse de gado, o acesso a pastagens e ciclos de vingança entre comunidades estão entre os factores associados à violência recorrente.
A situação exigiu a intervenção das forças governamentais e dos capacetes azuis nepaleses da Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul (UNMISS), que actuaram para travar os tiroteios, proteger o hospital e retirar civis e trabalhadores humanitários das zonas de risco.
Angelina Adhel, testemunha dos acontecimentos, destacou a importância da intervenção para proteger os envolvidos, afirmando que, sem a presença das forças de segurança, alguns trabalhadores humanitários poderiam ter perdido a vida.
Entretanto, o porta-voz do governador do Estado dos Lagos, Mabor Deng, anunciou a realização de patrulhas permanentes, durante 24 horas por dia, com o objectivo de melhorar as condições de segurança e permitir o regresso das famílias deslocadas.
Os confrontos voltam a expor os desafios de segurança enfrentados pelo Sudão do Sul, o país mais jovem do mundo, independente desde 2011, onde a violência entre comunidades continua a provocar mortes, deslocações populacionais e dificuldades na protecção dos civis.