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ANGOLA (OU SERÁ APENAS O MPLA?) APOSTA FORTE EM PORTUGAL

Posted on July 21, 2026 by Admin

O secretário de Estado da Economia de Portugal, João Rui Ferreira, afirmou, em Luanda, que as empresas portuguesas não receiam a crescente concorrência internacional no mercado angolano, sublinhando a sua capacidade de adaptação a economias competitivas em todo o mundo. Por sua vez o  secretário de Estado das Finanças e Tesouro de Angola, Ottoniel dos Santos, quer uma nova etapa na cooperação com Portugal.

Então é assim. “A competição global pelos mercados é algo que as empresas portuguesas estão habituadas a fazer”, declarou o governante luso, à margem do IX Business Networking Angola-Portugal, promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola (CCIPA) em parceria com a Associação Empresarial de Portugal (AEP) e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP)

O evento decorreu em vésperas da abertura da 41ª Feira Internacional de Luanda (FILDA) que decorre até sábado na Zona Económica Especial Luanda-Bengo.

Questionado sobre se o interesse das empresas portuguesas pelo mercado angolano estará a diminuir, João Rui Ferreira respondeu que o principal sinal do interesse é “mesmo a forte participação na FILDA” e a presença de muitas empresas no país, tanto do ponto de vista do investimento como das exportações.

O responsável respondia à Lusa a propósito dos dados divulgados recentemente que mostram uma perda de peso de Portugal no mercado angolano com menos 713 empresas portuguesas a exportar para Angola em 2025 face a 2021 apesar de o valor das vendas ter aumentado 14,6% no mesmo período.

No mesmo sentido, o investimento angolano em Portugal mais do que duplicou desde 2021 e é hoje quase o dobro do investimento português em Angola

O governante defendeu que a relação histórica entre os dois países, embora não seja por si só suficiente para gerar negócios, constitui uma vantagem competitiva.

“Nenhum negócio se faz com base em relações históricas, mas há uma coisa que é fundamental: essa relação de confiança e esse conhecimento vão potenciar o desenvolvimento de novos negócios”, afirmou, destacando ainda a língua comum como fator de cooperação.

Sobre a diversificação de parceiros por parte de Angola, que quer atrair investidores de todo o mundo, o secretário de Estado considerou a competição “natural” e manifestou confiança nas competências portuguesas nas áreas do desenvolvimento tecnológico e da inovação, apontando as ‘startups’ como uma oportunidade para o mercado angolano.

João Rui Ferreira deu conta de que a sua agenda em Luanda inclui, além da FILDA, encontros bilaterais com o ministro do Planeamento e com o ministro da Cooperação Económica angolanos, no sentido de eliminar eventuais constrangimentos e custos de contexto para as empresas.

Quanto às expectativas para as exportações portuguesas para Angola este ano, o governante mostrou-se cauteloso nas previsões, face ao “contexto imprevisível”, mas classificou como positivos os números do primeiro semestre, que encarou com “optimismo”.

Dados preliminares do INE apontam para uma subida de 9% nas exportações portuguesas para Angola nos primeiros quatro meses de 2026, para 361,4 milhões de euros.

O responsável recordou ainda que o Governo português lançou no ano passado linhas de apoio à internacionalização no valor de cerca de 200 milhões de euros, destinadas a ações de promoção internacional, individuais e conjuntas, bem como à valorização de marcas e ao comércio eletrónico.

Na FILDA, a AEP lidera este ano uma comitiva de 20 empresas portuguesas que vão participar no maior evento comercial internacional realizado em Angola.

A feira reuniu na edição de 2025 cerca de 1.800 empresas de 18 países e gerou um volume de negócios superior a 60 milhões de dólares (cerca de 51,6 milhões de euros).

Entretanto, o secretário de Estado das Finanças e Tesouro de Angola, Ottoniel dos Santos, apelou a que as empresas portuguesas olhem para o país “não apenas como um mercado de destino, mas como uma plataforma de produção” e de acesso a outros mercados africanos.

“É importante que as empresas portuguesas olhem para Angola não apenas como um mercado de destino, mas como uma plataforma de produção, de criação de valor e de acesso a outros mercados africanos”, afirmou o governante, defendendo uma nova etapa de cooperação centrada no investimento produtivo.

Ottoniel dos Santos deixou também um recado sobre os alicerces da relação bilateral, ao sustentar que as relações económicas entre os dois países não podem assentar apenas na proximidade histórica e na língua comum.

“Esses elementos constituem vantagens importantes, mas não substituem a competitividade, a inovação, a capacidade financeira nem a qualidade da gestão”, declarou, acrescentando que a amizade “aproxima os países”, mas são “a confiança, a competência e os resultados” que sustentam relações duradouras.

O secretário de Estado, que falava na abertura do IX Business Networking Angola-Portugal, apelou a que a nova etapa da cooperação privilegie parcerias que criem capacidade instalada em Angola, formem quadros nacionais e apoiem os fornecedores locais, apontando oportunidades em setores como a agricultura, a agroindústria, as pescas, a indústria transformadora, as energias renováveis, o turismo, a saúde, a logística e os serviços financeiros.

Defendeu, no mesmo sentido, que importa criar condições para que mais empresas angolanas encontrem em Portugal acesso ao espaço económico europeu, numa relação empresarial “de dois sentidos, assente no benefício mútuo”.

Ottoniel dos Santos sublinhou o empenho de Angola na diversificação da economia, no fortalecimento do setor privado e na redução da dependência das receitas petrolíferas, esforço que exige investimento, tecnologia, qualificação dos recursos humanos e um ambiente económico mais favorável.

O governante admitiu, no entanto, que os empresários continuam a enfrentar constrangimentos relacionados com o acesso ao financiamento, os custos de contexto, a burocracia, a logística, a disponibilidade de divisas e a previsibilidade de alguns procedimentos, defendendo que essas preocupações devem ser escutadas e não respondidas “apenas com declarações de intenção”.

Destacou ainda as pequenas e médias empresas, que asseguram uma parte significativa do emprego, mas enfrentam maiores dificuldades no acesso ao financiamento, à tecnologia e aos mercados.



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