A oposição guineense defende a realização de um amplo diálogo nacional e a criação de condições para eleições livres, transparentes e participativas, na sequência do referendo constitucional realizado este domingo, 30, no país.
A posição foi manifestada pelo político Fernando Dias da Costa, candidato independente às eleições presidenciais de Novembro de 2025, que considera necessário o restabelecimento da legalidade democrática na Guiné-Bissau.
Segundo o dirigente político, o actual momento exige que as autoridades de transição promovam um processo de concertação nacional capaz de devolver aos cidadãos um papel central nas decisões sobre o futuro político e constitucional do país.
Após o encerramento da votação, num vídeo partilhado nas redes sociais, Fernando Dias da Costa apelou às autoridades de transição e à comunidade internacional para que não interpretem a eventual ausência de participação popular no referendo como uma vitória política.
“É preciso termos transparência no processo político e o restabelecimento da legalidade democrática na Guiné-Bissau”, afirmou numa conferência de imprensa realizada no domingo, pouco mais de uma hora antes do encerramento das urnas.
Os guineenses foram chamados a pronunciar-se sobre o novo projecto de Constituição da República, elaborado pelo Conselho Nacional de Transição, órgão criado na sequência dos acontecimentos de 26 de Novembro de 2025.
Para Fernando Dias da Costa, qualquer alteração à Constituição deve resultar de um processo legítimo, transparente e com ampla participação dos cidadãos.
A Comissão Nacional de Eleições apontou para uma participação superior a 55% no referendo. O número, entretanto, foi contestado por algumas organizações da sociedade civil e coligações eleitorais.
Perante as divergências em torno da participação, o político considera que é necessário aprofundar o diálogo e criar condições para recuperar a confiança dos cidadãos nas instituições e no processo político.
Fernando Dias da Costa defende, por isso, que o futuro da Guiné-Bissau seja definido através de mecanismos democráticos, com eleições transparentes e participação efectiva da população.