Um ataque contra um comboio das Forças Armadas do Mali, no norte do país, provocou a morte de pelo menos 50 militares e a captura de outros 24, numa das mais graves perdas sofridas pelo exército maliano desde o início do conflito, há cerca de quinze anos.
A emboscada foi realizada por grupos jihadistas e independentistas tuaregues, quando a coluna militar seguia da cidade estratégica de Anéfis para Gao. O ataque foi reivindicado pelo Grupo de Apoio ao Islão e aos Muçulmanos (JNIM), ligado à Al-Qaeda, e pela Frente de Libertação do Azauade (FLA), movimento independentista que actua no norte do Mali.
O comboio havia deixado Anéfis, uma localidade que nas últimas semanas foi palco de intensos combates pelo controlo do território, e acabou surpreendido durante o percurso para Gao.
Uma fonte das Forças Armadas malianas classificou o balanço como “muito pesado” e revelou que estão em curso investigações para apurar as falhas tácticas que permitiram a emboscada. Segundo a mesma fonte, alguns militares terão sido executados após o ataque.
Os paramilitares russos do Africa Corps, que apoiam o exército maliano, já se encontravam em Gao no momento da ofensiva e, segundo fontes locais, não registaram baixas. Líderes comunitários apontaram para possíveis problemas de coordenação entre as forças russas e as tropas malianas durante a operação.
O exército do Mali confirmou que o comboio “caiu numa emboscada montada por grupos armados terroristas”, mas não divulgou oficialmente o número de vítimas.
O país enfrenta, desde 2012, uma grave crise de segurança marcada pela actuação de grupos jihadistas ligados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico, além de movimentos independentistas tuaregues e grupos criminosos locais. A instabilidade agravou-se após os golpes de Estado de 2020 e 2021, que levaram os militares ao poder com a promessa de restaurar a segurança e garantir a integridade territorial do Mali.