Entende-se que a juventude representa uma das principais forças de transformação de qualquer sociedade, em Angola, onde a população jovem também possui um peso significativo, discutir o seu papel no desenvolvimento económico e social implica necessariamente abordar questões relacionadas com educação, emprego, empreendedorismo, inclusão financeira e gestão das finanças individuais. As dificuldades económicas enfrentadas por muitas famílias e jovens angolanos tornam a gestão do dinheiro uma questão cada vez mais relevante.
Por Adanilson Augusto Ferreira Tomás (*)
Como jovens, se soubermos administrar os recursos estaremos preparados para estabelecer prioridades, controlar despesas, poupar, investir, evitar o sobre-endividamento e planear o futuro. Assim, discutir finanças individuais é também discutir comportamento, responsabilidade e cidadania.
Esta análise tem como objectivo, levar a juventude angolana a pensar sobre finanças individuais, a criação de micro-negócios.
Será que estamos a preparar os jovens apenas para ganhar dinheiro ou também para saber administrar, proteger e multiplicar os recursos que conseguem obter?
As finanças individuais compreendem o conjunto de decisões relacionadas com a obtenção, utilização, gestão e aplicação dos recursos financeiros de uma pessoa ou família. É necessário, portanto, desenvolver uma cultura financeira baseada em três princípios fundamentais: ganhar, gerir e multiplicar.
Ganhar através do trabalho e da criação de oportunidades, gerir através do planeamento e controlo das despesas, e multiplicar através da poupança, investimento e criação de actividades produtivas.
A relação entre finanças e comportamento pode ser observada em três dimensões: ver, pensar e agir.
A educação financeira altera a forma como o jovem interpreta o sucesso económico.
O jovem deixa de associar necessariamente riqueza ao consumo visível e começa a compreender o valor da estabilidade financeira, da poupança, do investimento e do património.
Ter um telefone caro, um automóvel ou roupas de marca pode representar consumo, mas não significa necessariamente riqueza.
O jovem começa a desenvolver uma perspectiva de longo prazo.
Ao invez de pensar apenas: “Quanto posso gastar hoje?” passa a questionar: “Quanto posso poupar? Onde posso investir? Como posso aumentar o meu rendimento? Que futuro estou a construir?”
Esta mudança de pensamento é fundamental.
Uma sociedade economicamente sustentável precisa de cidadãos capazes de tomar decisões considerando não apenas as necessidades do presente, mas também as consequências futuras.
Conhecimento sem comportamento produz poucos resultados. Por isso, a educação financeira deve transformar-se em práticas concretas: Elaboração de orçamento pessoal; Controlo das despesas; Criação de poupança; Utilização responsável do crédito; Avaliação de riscos; Investimento consciente; Desenvolvimento de competências profissionais; Criação de pequenos negócios; Diversificação das fontes de rendimento.
A educação financeira pode produzir mudanças significativas no comportamento dos jovens, levando-os a aprender que nem tudo aquilo que podemos comprar precisamos necessariamente ter que comprar e que o crédito não representa rendimento adicional, mas uma obrigação que deverá ser paga no futuro.
Por fim, compreender que poupar não significa simplesmente guardar dinheiro, mas criar capacidade para enfrentar imprevistos e alcançar objectivos futuros.
(*) Mestre em Administração e Finanças pela Universidade Gregório Semedo (UGS)