O Governo britânico ameaça proibir a entrada de cidadãos da Eritreia no Reino Unido caso as autoridades daquele país não retomem a cooperação para o regresso de migrantes e de criminosos condenados.
A informação foi avançada esta quinta-feira pela secretária britânica do Interior, Shabana Mahmood, que anunciou também novas restrições a autoridades e diplomatas eritreus, em resposta à suspensão da cooperação migratória por parte de Asmara, no início deste ano.
Segundo o Ministério do Interior britânico, os altos responsáveis e as autoridades da Eritreia perderam o acesso ao serviço acelerado de emissão de vistos. Além disso, os diplomatas eritreus destacados no Reino Unido ficam sujeitos a restrições de circulação fora de Londres, não podendo deslocar-se para além de 60 quilómetros da capital sem autorização do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
O Governo britânico afirma que os acordos de retorno são necessários para permitir a deportação de pessoas cujos pedidos de asilo foram recusados e de cidadãos estrangeiros condenados por crimes.
Dados divulgados pelas autoridades britânicas indicam que, dos 2.626 cidadãos eritreus cujos pedidos de asilo foram rejeitados nos últimos quatro anos, menos de 4% foram deportados.
No ano terminado em Junho de 2026, os cidadãos da Eritreia foram a nacionalidade mais representada entre as pessoas que chegaram ao Reino Unido em pequenas embarcações, segundo os dados citados pelo Governo britânico.
Shabana Mahmood advertiu ainda que outros países poderão enfrentar restrições semelhantes na emissão de vistos caso não cooperem com Londres no processo de regresso dos seus cidadãos.
As medidas fazem parte do esforço do Governo britânico para pressionar países de origem a aceitar o retorno de migrantes que não têm autorização para permanecer no Reino Unido.