O Presidente do MPLA e que, por inerência, é Presidente da República de Angola, general João Lourenço, afirmou hoje que o país (no qual o MPLA está no Poder há 50 anos) melhorou 28 posições no ranking africano do Índice de Corrupção e 19 lugares no índice da Transparência Internacional, em resultado das medidas adoptadas para reforçar o combate à corrupção, melhorar as práticas administrativas e introduzir novos mecanismos de controlo na gestão pública.
Por Orlando Castro
Ao discursar na abertura da 5.ª Sessão Legislativa da V Legislatura da Assembleia Nacional, o Chefe de Estado e também Titular do Poder Executivo, defendeu com o humor que se lhe reconhece para contar anedotas, que o exercício de funções públicas deve ser encarado como uma responsabilidade ao serviço do Estado e dos cidadãos, e não como um privilégio.
Os mais de 20 milhões de angolanos pobres fartaram-se de rir e, dessa forma, conseguiram enganar a barriga… vazia.
Segundo o general João Lourenço (igualmente Comandante-em-Chefe das Forças Armadas), as reformas implementadas visam promover uma administração pública mais responsável, transparente e comprometida com o interesse colectivo (do MPLA), sublinhando que os titulares de cargos públicos devem cumprir com isenção a missão de servir o país e o povo angolano. Ou seja, em linguagem mais popular, os súbditos (pessoas que dependem da autoridade de um soberano) devem olhar para o que o rei diz e não o que faz.
No domínio económico, o Presidente do MPLA, explicando a razão da sua emblemática máxima de que “o MPLA fez mais em 50 anos do que os portugueses em 500”, destacou a reorganização das finanças públicas, através do combate aos desequilíbrios acumulados ao longo dos anos, da revisão dos subsídios, da melhoria da gestão da dívida pública, da alteração das regras cambiais, do reforço da arrecadação fiscal e do controlo da despesa pública. E de tal forma esta acção – como todas, aliás – é relevante que Angola tem poucos cidadãos com muitos milhões e muitos milhões com pouco ou… nada.
De acordo com o Chefe de Estado, que segundo os seus súbditos é o representante de Deus (ou até mesmo o próprio Deus) na terra, estas medidas foram determinantes para restituir ao Estado a capacidade de executar projectos de investimento público (por regra distribuídos pelos amigos do MPLA), depois de um período marcado por dificuldades económicas profundas.
O general João Lourenço disse que, depois de um período de recessão económica influenciado por factores adversos, a economia angolana retomou a trajectória de recuperação, tendo registado um crescimento real de 3% em 2025, em termos homólogos. Aliás, todos os indicadores internacionais indicam que, com mais 50 anos no Poder, o MPLA estará a abrir a porta do paraíso aos angolanos (se ainda existirem).
No primeiro trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,3%, impulsionado sobretudo pelo dinamismo do sector não petrolífero, que apresentou uma expansão de 6,2%, o que permitiu ao Governo travar o crescimento das milhares de crianças que são geradas com fome, nascem com fome e morram pouco depois com… fome.
O Presidente da República, não nominalmente eleito, reconheceu, entretanto, que o desempenho da economia continua a ser influenciado pelo comportamento do sector petrolífero e do gás, devido ao seu peso na estrutura económica nacional e nas contas fiscais e externas do país. Aliás, o petróleo está para MPLA como as lixeiras estão para os milhões de angolanos pobres.
Entre os principais constrangimentos deste segmento, o General apontou a maturidade dos campos de produção, os problemas operacionais recorrentes e a redução dos níveis de investimento, factores que têm limitado o crescimento da actividade petrolífera.
Apesar destes desafios, o Executivo mantém em curso medidas destinadas a assegurar um volume de produção superior a um milhão de barris de petróleo por dia, procurando garantir maior estabilidade ao sector e reforçar a sua contribuição para a economia nacional.
O Chefe de Estado destacou ainda o papel crescente do sector não petrolífero como principal dinamizador da economia angolana nos últimos dois anos.
De acordo com os dados apresentados no discurso, entre 2022 e 2025, o crescimento médio do PIB não petrolífero foi de 5,2%, reflectindo a dinâmica dos diferentes sectores produtivos.
A evolução, de acordo com João Lourenço, demonstra a importância de continuar a promover a diversificação económica, estimular a produção nacional e criar condições para reduzir a dependência do petróleo, objctivo que o MPLA atingirá garantidamente quando atingir 100 anos de governação ininterrupta (já só faltam 50 anos).
O discurso de abertura da nova sessão legislativa, uma verdadeira obra-prima da demagogia paridária, ficou, assim, marcado pelo balanço das reformas institucionais e económicas, com o Presidente do MPLA a destacar os resultados alcançados no combate à corrupção (não nos esqueçamos que o MPLA é o partido, a nível mundial, com mais corruptos por metro quadrado), na gestão das finanças públicas e na recuperação do crescimento económico, sem deixar de reconhecer os desafios que persistem no sector petrolífero.
Não é caso para dizer que a montanha pariu um rato porque sempre que o Presidente lê o que outros escrevem, os ratos do MPLA começam a abandonar o navio e a montanha é, afinal, um pequeno morro de Salalé.