O Presidente da República, João Lourenço, afirmou que a posição de Angola na defesa do multilateralismo e do direito internacional contribuiu para o reconhecimento do país como um dos principais mediadores africanos, papel reforçado com a sua designação de Campeão da União Africana para a Paz e a Reconciliação.
Ao discursar sobre o Estado da Nação, o Chefe de Estado lembrou que, face à ameaça de grupos extremistas em Moçambique e em várias regiões africanas, Angola recomendou a melhoria dos sistemas de alerta precoce da União Africana, o reforço da diplomacia preventiva para evitar que crises evoluam para guerras, e o aumento da coordenação entre a União Africana e as comunidades económicas regionais, como a SADC, a CEDEAO, a Comunidade dos Estados da África Oriental e o IGAD.
No plano internacional, João Lourenço referiu que, ao longo das últimas Assembleias-Gerais das Nações Unidas, daquela tribuna Angola defendeu o multilateralismo, a reforma do Conselho de Segurança, a defesa da paz, do direito internacional, de reformas mais inclusivas, a justiça reparatória aos africanos e afrodescendentes pelo crime da escravatura, a solidariedade para com os povos oprimidos e a luta pelo fim do embargo imposto a Cuba.
O Presidente sublinhou ainda que Angola advogou por soluções diplomáticas para os conflitos no Leste da RDC, na região dos Grandes Lagos, na Europa, no Médio Oriente e no Golfo Pérsico, e em outros pontos do planeta.
Outro destaque da diplomacia angolana, segundo o Chefe de Estado, foi o acolhimento em Luanda, nos dias 15 e 16 de Julho do presente ano, da Cimeira da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, que decorreu sob o lema “Um apelo à paz, ao fim das guerras e ao respeito pelo direito internacional”.
Do encontro resultou a Declaração Conjunta de Luanda, na qual se reafirma o compromisso com a paz mundial e o respeito do direito internacional, a necessidade do reforço do diálogo e da reconciliação, a dignidade da pessoa humana, os princípios da igualdade e não discriminação, e o papel dos jovens e das mulheres como promotores da paz.
João Lourenço destacou ainda a realização em Luanda, em Julho do corrente ano, do II Fórum Internacional da Mulher para a Paz e a Democracia, que visou a crescente valorização do papel das mulheres na prevenção de conflitos, na consolidação da paz e no fortalecimento das instituições democráticas, e que formulou compromissos políticos e recomendações com impacto em políticas públicas e iniciativas regionais e internacionais.
O Presidente anunciou que Angola vai acolher, nos próximos dias, a 4ª edição do Fórum Pan-Africano para a Cultura da Paz e Não Violência de Luanda, sob o lema “Reforço da governação da água em África, como instrumento de prevenção, mediação e resolução de conflitos”.
Um lema particularmente relevante para Angola, justificou, dado o potencial hídrico que possui e os grandes investimentos dos últimos anos em água para o consumo doméstico, industrial e agrícola.