O Presidente da República afirmou que assumiu a responsabilidade de pedir desculpas públicas por todos os crimes cometidos durante os conflitos políticos entre 1975 e 2002, por entender que não seria possível trabalhar juntos pelo desenvolvimento sem antes curar as feridas do conflito político-militar.
O Chefe de Estado, João Manuel Gonçalves Lourenço, afirmou que a reconciliação nacional exigia um acto de coragem e humildade do Estado angolano.
“Enquanto Chefe de Estado assumi a responsabilidade de pedir desculpas públicas por todos os crimes cometidos durante os conflitos políticos registados no nosso país no período que vai desde a proclamação da nossa Independência Nacional a 11 de Novembro de 1975 até à data em que se pôs fim à guerra e se alcançou a paz definitiva a 4 de Abril de 2002”, disse.
João Lourenço sublinhou que fê-lo por entender que era essencial para o reforço da reconciliação nacional e que não seria possível trabalhar juntos em prol do desenvolvimento da Nação se não se curassem as feridas do longo conflito.
Por essa razão, recordou, foi criada a Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), que tem como missão prestar digna homenagem à memória de todos os cidadãos vítimas de conflitos políticos naquele período.
O Presidente referiu ainda que entendeu que a família do fundador do maior partido da oposição tinha o direito de fazer a trasladação dos seus restos mortais e dar-lhe um funeral digno, à luz da cultura cristã e das tradições africanas – numa referência a Jonas Malheiro Savimbi.
No mesmo sentido, no quadro das celebrações dos 50 anos da Independência Nacional, Angola prestou homenagem aos líderes dos movimentos de libertação nacional subscritores dos Acordos de Alvor, nomeadamente António Agostinho Neto, Holden Álvaro Roberto e Jonas Malheiro Savimbi.
“Esta nossa capacidade de abraçar e perdoar é fundamental para construirmos um país próspero onde as pessoas podem conviver independentemente das suas diferenças políticas, ideológicas, étnicas e religiosas ou de outra natureza”, afirmou.
Para o Chefe de Estado, a consolidação da reconciliação e da estabilidade política é responsabilidade de todos e garantia fundamental para o desenvolvimento económico e social e o bem-estar dos angolanos.
“É nesse espírito de abraçar e perdoar que erguemos o Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos que inaugurámos ontem, sendo um local de memória, de reflexão, de reconciliação, mas sobretudo de educação patriótica e de renovação do compromisso com a estabilidade do país e o desenvolvimento nacional”, concluiu.
A inauguração do Memorial, segundo o Presidente, marca não apenas uma obra material, mas um acto espiritual de perdão e união nacional.
O que é o memorial às vítimas dos conflitos políticos e o que representa para Angola?