A dependência de financiamento externo, a fragilidade institucional e a falta de poder político efectivo sobre os Estados-membros estão entre os principais factores que limitam a capacidade de intervenção da União Africana (UA) na prevenção e resolução de conflitos no continente, segundo especialistas.
A questão esteve em debate, esta terça-feira, 1, em Luanda, durante uma iniciativa da Oficina do Conhecimento subordinada ao tema “Os desafios da União Africana na prevenção e resolução de conflitos em África”.
O debate aconteceu poucos dias depois de a capital angolana ter acolhido a 21.ª Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, dedicada ao reforço dos mecanismos de prevenção e resolução de conflitos no continente.
Para o economista Afonso Malaca, muitos dos problemas de desenvolvimento de África resultam da incapacidade das economias nacionais de responderem ao crescimento populacional e às necessidades sociais.
O especialista considerou que a dependência financeira do continente constitui um dos factores que condicionam a autonomia dos países africanos na tomada de decisões.
Na mesma linha, o especialista em geopolítica e geoestratégia Osvaldo Izata defendeu que a União Africana continua a afirmar-se sobretudo como uma organização política, sem o correspondente peso económico.
Segundo Izata, este desequilíbrio acaba por fragilizar a soberania do bloco continental e limitar a sua capacidade de resposta perante crises e conflitos.
O especialista apontou ainda a falta de poder político efectivo sobre os Estados-membros como uma das razões para a incapacidade da organização de agir de forma mais firme em determinados conflitos africanos.
Na sua avaliação, a UA enfrenta o desafio de transformar decisões políticas em mecanismos capazes de produzir resultados concretos nos países onde ocorrem crises.
Por sua vez, o reverendo Ntoni-a-Nzinga alertou que a construção da paz em África não deve limitar-se à assinatura de cessar-fogos ou à interrupção temporária das hostilidades.
O líder religioso defendeu a necessidade de atacar as causas profundas dos conflitos, nomeadamente as suas dimensões políticas, económicas e sociais.
Para Ntoni-a-Nzinga, a experiência histórica demonstra que conflitos tendem a reaparecer quando as causas que estiveram na sua origem permanecem sem solução.
Os intervenientes convergiram, assim, na necessidade de reforçar as capacidades institucionais e financeiras da União Africana e de encontrar soluções estruturais para os conflitos, de modo a permitir que a organização continental passe das decisões políticas à implementação efectiva de medidas de prevenção e resolução de crises.